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15 de maio de 2016

O Espírito Santo e o dom da Alegria


São Paulo diz que o Reino de Deus, isto é, a meta para a qual estamos a caminhar, tem como um dos pilares fundamentais a alegria: “O Reino de Deus não é uma questão de comer ou beber, mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17).

Ao falar dos frutos do Espírito Santo, a Carta aos Gálatas diz o seguinte: “Por seu lado, os frutos do Espírito Santo são: amor, alegria, paz” (Gal 5, 22).

Falando com os discípulos durante a Última Ceia, Jesus disse o seguinte: “Revelei-vos todas estas coisas, a fim de que a minha alegria habite em vós e, deste modo, a vossa alegria seja perfeita e total” (Jo 15, 11).

O evangelho de São João diz que no decorrer da Ceia Pascal, os discípulos começam a entristecer-se, pois apercebem-se de que Jesus estava a despedir-se. Jesus aproveitou a situação para lhes garantir que, após a Páscoa, a sua alegria seria plena e duradoira: “Agora estais abatidos, mas ver-vos-ei de novo e haveis de vos alegrar e já ninguém poderá tirar-vos a vossa alegria” (Jo 16, 22).

Na sua primeira aparição como ressuscitado, os discípulos ficaram cheios de alegria, tal como o Senhor lhes tinha garantido. Eis as palavras de São João: “Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco!” Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito e os discípulos encheram-se de alegria por verem que era o Senhor” (Jo 20, 19-20).

Ao terminar a Ceia, Jesus faz uma oração ao Pai, pedindo-lhe para que os discípulos recebam a plenitude da alegria da fé, a qual vem do Espírito Santo. Eis as suas palavras: “Pai Santo, agora vou para ti. Mas antes de partir queria pedir-te o seguinte: “Que eles tenham em si a plenitude da minha alegria” (Jo 17, 13).
O evangelho de São Lucas diz que Jesus exulta de alegria no Espírito Santo, por ver que as pessoas simples e pobres acolhem a Palavra de Deus: “Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10, 21).

O Espírito Santo, diz São Paulo, é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5). 

É Pelo Espírito Santo que a bondade divina transborda para a Humanidade. Graças a Cristo ressuscitado já fazemos parte da Comunhão Universal do Reino de Deus cujo coração é a Santíssima Trindade. As pessoas humanas são assumidas nessa comunhão familiar de Deus e, portanto, divinizadas.

O Espírito santo é a dinâmica do amor de Deus a actuar nos nossos corações. Podíamos dizer que é o sangue divino a circular nas veias do nosso ser interior. Por outras palavras, o Espírito Santo é o Sangue da Nova e Eterna Aliança a comunicar-nos a vida divina.

Jesus disse que o Espírito Santo é a Água Viva que faz emergir uma nascente de vida eterna no íntimo do nosso coração (Jo 7, 37-39; cf. Jo 4, 14). É a Carne e o Sangue de Cristo ressuscitado a alimentar em nós a vida dos Filhos de Deus (J0 6, 62-63).

O Espírito Santo é o Sangue e a Água que jorrou do peito de Cristo no momento em que morreu e ressuscitou sobre a cruz (Jo 19, 33-34). O Espírito Santo é o sopro que saiu da boca de Jesus ressuscitado na sua primeira aparição aos discípulos: “Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ficarão perdoados, mas àqueles a quem os retiverdes ficarão retidos” (Jo 20, 22-23).

O nosso Deus sonha projectos de amor e concretiza aquilo que sonha. Alegremo-nos, pois fazemos parte do plano de amor de um Deus que nos ama incondicionalmente e por isso nos comunicou o dom do Espírito Santo que, no nosso coração, é uma fonte permanente de alegria e fortaleza.

Ele é também o amor maternal de Deus que realiza a plena reconciliação do Homem com Deus, fazendo de nós uma Nova Criação, como diz São Paulo: “Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho. Tudo isto nos vem de Deus que nos reconciliou consigo em Cristo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17-19).

Graças à acção maternal do Espírito Santo somos incorporados na Família de Deus como filhos e herdeiros de Deus Pai e irmãos e co-herdeiros com o Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

O Livro do Génesis diz que a génese histórica do Homem em construção foi iniciada pelo hálito da vida de Deus, isto é, o Espírito Santo, no momento do sopro primordial (Gn 2, 7).

Ao comunicar-nos o dom do Espírito Santo, Jesus criou as condições perfeitas para podermos atingir a alegria plena. Eis as palavras de Jesus: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26).

Ao ressuscitar, Jesus comunicou-nos a possibilidade de comunicarmos de modo directo com o Espírito Santo, a fim de participarmos da interacção que existe entre o Pai e o Filho. Eis as palavras de São Paulo: “Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão, mas um Espírito que faz de vós filhos adoptivos.

É por este Espírito que clamamos “Abba”, Pai Querido” (Rm 8, 14-15; cf. Ga 4, 4-7).

Os seres humanos não entram isoladamente na comunhão familiar de Deus. Na verdade, As pessoas são incorporadas nesta comunhão familiar, graças ao facto de formarem uma união orgânica com Cristo. A Carta aos Gálatas diz que todos nós somos um em Cristo (Gal 3, 29). Por isso ele pôde afirmar: “Já não sou eu que vivo mas Cristo que vive em mim” (Gal 2, 10).

O Homem Novo é uma Nova Humanidade onde deixa de haver razões para dividir os seres humanos por razões de raça, cultura, de classe social ou pela sua condição sexual: “Já não há grego nem judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro, cita, escravo ou homem livre, mas apenas Cristo que é tudo em todos e está em todos nós” (Col 3, 9-11).

É nesta comunhão orgânica que os seres humanos encontram a sua plena alegria de pessoas totalmente realizadas e felizes.

NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA

Em Comunhão Convosco, 
Calmeiro Matias

Fonte:http://derrotarmontanhas.blogspot.com.br/2016/05/o-espirito-santo-e-o-dom-da-alegria.html


A solenidade de Pentecostes encerra o Tempo da Páscoa.

Inaugura-se na história da humanidade um novo tempo, o Tempo do Espírito, ou o Tempo da Igreja. Trata-se de um espaço aberto para o testemunho dos discípulos: “permanecei em Jerusalém até receberdes a força do alto, o Espírito Santo, na Judeia, na Samaria, até os confins da terra”.

O numeral ordinal “pentecostes” designa o último dia de uma série de cinquenta dias. O pentecostes não coincide com a festa judia de Pentecostes. A festa judia passou por uma evolução: de uma festa agrícola, ela passou, no período pos-exílico, a ser uma festa comemorativa da Aliança no Sinai.

Todo o relato da descida do Espírito Santo em At 2, 1-11 possui os elementos da teofania do Sinai: barulho ensurdecedor e fogo. São elementos da manifestação de Deus. O barulho enche toda a casa, como o Espírito Santo a todos eles. E, depois de um fenômeno sonoro, um fenômeno visual: “línguas como de fogo”. Que são essas “línguas de fogo”? Simbolizam o poder de Deus que faz falar. Não se trata de falar línguas incompreensíveis. O dom do Espírito Santo faz com que a Igreja assuma a cultura, a língua de cada povo, para poder levar a cada pessoa as maravilhas de Deus, isto é, o que Deus fez por nós e para nós em Jesus Cristo.

A solenidade de Pentecostes funda a universalidade da missão da Igreja. Mas há continuidade entre o pentecostes judeu e o cristão: o dom do Espírito é o dom da Lei interiorizada, quando, da Nova Aliança, surgem o espírito novo e o coração novo, de que falam os profetas Jeremias e Ezequiel


Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)
Presidente da Pró-Saúde

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