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20 de dezembro de 2015

4º Domingo do Advento

A poucos dias do Natal, a Igreja já se prepara para receber em seu seio a presença do Menino Jesus. 
A liturgia deste 4º Domingo do Advento narra esse grande acontecimento para a humanidade a partir do relato de São Mateus. Ao contrário de São Lucas - que faz uma espécie de retrato da Virgem Maria -, São Mateus conta-nos tudo, trazendo à nossa memória o grande patriarca da Igreja Universal, São José.
São José, segundo nos revela o evangelista, era uma pessoa "justa". Na leitura, o esposo de Maria aparece como o homem dos sonhos. A imagem nos permite traçar um belíssimo paralelo com a figura de outro personagem: José do Egito. Ele, de igual modo, também é apresentado como aquele que sonhava. Deus o visitava durante o sono.
E é precisamente durante o sono que o anjo mensageiro vem trazer a grande notícia para José, o pai de Jesus. Ele, angustiado com a gravidez da esposa e, ao mesmo tempo, "não querendo denunciá-la", resolve "abandonar Maria, em segredo". O anjo Gabriel, porém, exercendo um tipo de sacerdócio muito particular, visita São José, em sonho, e lhe diz: "José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo".
As palavras do anjo Gabriel já nos revelam, de antemão, um dos mistérios da vida de Jesus. Sendo seu pai adotivo aqui na terra, José, o "filho de Davi", concede a Cristo a legitimidade sobre o trono de Israel, tal qual nos escreve São Lucas, em seu retrato sobre o nascimento: "Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó" (Cf. Lc 1, 33). Aqui aparece, então, o múnus régio de Cristo. Jesus é o Rei do Céu e da Terra, o Sumo Pontífice que abre as portas da eternidade para os pecadores.
Além disso, o anjo Gabriel faz-nos enxergar outra realidade igualmente importante: não se pode temer receber Maria em nossa casa. Ora, quantos de nós, cristãos escrupulosos - assim como define São Luis de Montfort no seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem01 -, tememos amar Maria e prestar-lhe verdadeira honra, achando que assim prejudicaremos o devido culto a Deus? De fato, muitas vezes nos comportamos como autênticas serpentes. Temos inveja da eleição de Maria. Sentimo-nos feridos e rejeitados por Deus, da mesma maneira que Caim e os irmãos de José do Egito se sentiram. E como consequência, o primeiro mata Abel; já os demais, vendem o irmão, por terem inveja da sua estima perante o pai, Jacó.
Todavia, não há caminho melhor e mais seguro para se chegar a Deus do que o da Virgem Santíssima. Quem recebe Maria em sua casa recebe igualmente Jesus, uma vez que seria mais fácil separar o calor do Sol do que separar Maria de Jesus. E, nesse sentido, também São José nos dá o exemplo, amando Maria e Jesus de uma maneira extraordinária. Imaginemos a humildade desse homem que se fez chefe de família, tendo em sua casa duas pessoas muito maiores do que ele. É-nos uma verdadeira lição de serviço e simplicidade, mormente para os pastores de almas que, ao entregar-se à tarefa do direcionamento espiritual, acabam por encontrar pessoas às vezes muito mais santas e tementes a Deus do que eles mesmos.
O Papa Bento XVI, ao contemplar a figura de São José numa das meditações do Angelus, em 2006, colocou a pessoa do pai adotivo de Jesus - e também Nosso Pai e Senhor, tal qual ensinava São Josemaria Escrivá - como modelo de santidade para todos os cristãos02:
[...] O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afecto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.
Com efeito, à medida que o acontecimento do Natal se aproxima de nós, devemos nos preparar, do mesmo modo que São José, para recebermos a presença do "Deus Conosco", acompanhado da Virgem Maria, em nossas casas. O Natal é o tempo de deixarmos nossas almas abertas para a entrada da graça. Por isso, tenhamos a consciência de nos prepararmos devidamente para esse momento, sobretudo durante a comunhão eucarística, pondo em prática o antigo ensinamento da Igreja a respeito dos jejuns eucarísticos03.
O evangelista arremata a sua narrativa dizendo que "Deus está conosco". Neste próximo Natal, desejamos   um verdadeiro tempo de presença de Deus. Que Jesus possa nascer nos lares de todas as pessoas, dizendo para elas que, não, não estamos sozinhos.
Feliz Natal
Fonte:https://padrepauloricardo.org/episodios/quarto-domingo-do-advento

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